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Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades

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jovensfolclore

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Convidamos-te como jovem folclorista português(a) a entrar no recem-nascido “NewsGroup” do 1° clube dedicado aos jovens com cargos de folcloristas no seio de seus grupos folclóricos portugueses nas Comunidades.

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Convite aos jovens folcloristas dos Grupos Folclóricos Portugueses



Plus d'actualités, de photos et de vidéos sur www.jovensfolcloristas.blogspot.com



Congresso/Algarve : Os Jovens no Folclore Português
Programa completo : Clica aqui !

Bordéus : Colóquio e debate público sobre o folclore português no Consulado-Geral de Portugal
Convite e documentos : Clica aqui !
Fotos : Clica aqui !


Orléans : Colóquio e debate público sobre o folclore português no Consulado de Portugal
Convite, documentos e fotos : Clica aqui !

Reims : Colóquio e debate público sobre o folclore português no "GPR"
Convite e documentos : Clica aqui !
Fotos : Clica aqui !

Villeneuve Saint-Georges : Colóquio e debate público sobre o folclore português na sede do rancho folclórico “Flores do Lima”
Convite e documentos : Clica aqui !
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BRASIL : Clube de Jovens Folcloristas Portugueses no Brasil (CJF-Brasil)
Informações sobre o CJF-Brasil : Clica aqui !

VENEZUELA : Clube de Jovens Folcloristas Portugueses na Venezuela (CJF-Venezuela)
Informações sobre o CJF-Venezuela : Clica aqui !

ARGENTINA : Clube de Jovens Folcloristas Portugueses na Argentina (CJF-Argentina)
Informações sobre o CJF-Argentina : Clica aqui !

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“Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo,
para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso,
se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais
mergulhadas na herança social que o passado nos legou.”

(Jorge Dias)
[in Portal do Folclore - www.folclore-online.com]


Convidamos-te como jovem folclorista português(a) a entrar no recem-nascido “NewsGroup” do 1° clube dedicado aos jovens com cargos de folcloristas no seio de seus grupos folclóricos portugueses nas Comunidades.

As regiões ou zonas folclóricas representadas (por enquanto !!) no Clube de Jovens Folcloristas nas Comunidades são : Algarve, Nazaré, Trás os Montes, Ribatejo, Minho (Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima).

Verificamos que para os jovens folcloristas portugueses nas Comunidades é dificil ter lugar e objectar no debate um conhecimento etnográfico e de folclorização que dispômos por muita força de vontade de nos documentar a mobilizar as nossas energias (e férias !!) nas pesquisas do trajamento e vida dos nossos antepassados que representamos nos nossos grupos folcloricos portugueses em França onde temos todos cargos de Dirigentes ou ensaiadores tecnicos.

Os membros do Clube de Jovens Folcloristas reunem-se frequentemente para analisar e debater sobre a situação do folclore português nas Comunidades.

Associa-te a nós e inscreve-te ao 1° Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades !!


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Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades (CJF-França)
41 boulevard Jean Jacques Rousseau - Appartement N° 2
F-92230 GENNEVILLIERS - França
Telf. : [+33] (0)8.70.44.73.30 - Fax : [+33] (0)1.47.94.19.08
E-mail : clube.jovens.folcloristas@gmail.com
Site : http://br.groups.yahoo.com/group/clubejovensfolcloristas
Orkut : http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=917522
SkyBlog : http://jovensfolclore.skyblog.com

Presidente do Clube CJF-França : Adé J. R. CALDEIRA
E-mail : clube.jovens.folcloristas@gmail.com
Messenger : adecaldeira@hotmail.com

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Visite o site do Clube dos Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades (CJF) em :
http://br.groups.yahoo.com/group/clubejovensfolcloristas

Associa-te ao CJF e recebe gratuitamente o nosso boletim. Clica em :
clubejovensfolcloristas-subscribe@yahoogrupos.com.br
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#Posté le dimanche 18 décembre 2005 15:37

Modifié le vendredi 07 décembre 2007 06:55

Campanha de assinaturas ao jornal “Folclore”

Ao cuidado de todos os
Dirigentes de Grupos Folclóricos nas Comunidades



Mensagem de Manuel João Barbosa
Director do “Jornal Folclore”


Introdução

Se folclore é arte do povo, deverá ser entendido como uma reminiscência do passado, arreigado a princípios de uma completa humanização colectiva. Nunca será folclore aquilo que foi corrente numa forma estritamente individual, que nunca se exteriorizou para a comunidade. Uma peça folclórica só o será se a sua raiz beber na fonte da tradição colectiva. Por isso mesmo, folclore é uma ciência que estuda modos de vida em tempos recuados. Criar, inventar, idealizar, compor, conceber, fantasiar, não é folclore.

A importância da comunicação social na valorização e divulgação do folclore

A comunicação social revela-se hoje de capital importância para qualquer sector da vida, por demais quando as novas tecnologias nos oferecem vantagens que não podemos desaproveitar, se queremos acompanhar o ritmo que o dia a dia que vivemos nos impõe.

A cultura popular, como qualquer outra vertente social, necessita da comunicação social, e muito em especial da imprensa, já que este meio é determinante no registo da história do movimento que ao folclore se afecta.

Novas formas de comunicação estão a rodear-nos e a tornar-nos auto-dependentes. A actividade folclórica não pode (não deve) fugir aos novos desafios da informação.

Na imprensa têm aparecido ao longo dos tempos “envergonhadas” secções que falam de folclore mas que logo desaparecem. Rareiam versados profissionais ou amadores da escrita que escrevam sobre esta grande realidade cultural.

O “Jornal Folclore” apareceu no universo da imprensa portuguesa como órgão temático de informação, no âmbito da cultura popular. Perfez nove anos de publicação regular em Março de 2005. Publica-se com total independência (soberana, económica e editorial). É um projecto arredado de interesses comerciais, orientado no sentido de não só informar mas, e também, de formar, oferecendo aos responsáveis pelos grupos de folclore indicações úteis para uma maior dignidade na sua representação etnográfica e folclórica.

Desde o seu aparecimento, o “Jornal Folclore” tem aberto as suas páginas ao movimento folclórico nacional, independentemente da qualidade representativa dos grupos. Não competirá, com efeito, ao “Jornal Folclore” fazer distinção do trabalho dos agrupamentos que ainda não encontraram um rumo de acção concertada.

Por outro lado, é do conhecimento público que muitos grupos que eram completamente desconhecidos, se vêm agora em evidência, graças à divulgação que o “Jornal Folclore” fez da sua própria existência e das suas actividades. Alguns desses grupos passaram mesmo ao “estrelato” no universo folclórico do país, sendo constantemente requisitados para variados serviços.

O “Jornal Folclore” é ainda, um repositório vasto do movimento folclórico nacional, e não será ficção afirmarmos que muitos estudiosos procuram nas suas páginas elementos que lhes servem de registro e orientação aos seus trabalhos. Outrossim, estudantes recorrem ao “Jornal Folclore” para preparem teses para as suas licenciaturas.

Diz-se que um dia, o Jornal Folclore será uma verdadeira enciclopédia do folclore português, pelos registros que oferece.


"Uma coisa é aprender com o passado; outra é chafurdar nele."
Kenneth Auchineloss
JORNAL FOLCLORE
JORNAL DE DEFESA E DIVULGAÇÃO DO FOLCLORE E ETNOGRAFIA DE PORTUGAL
DIRECTOR E PROPRIETÁRIO: MANUEL JOÃO SILVA BARBOSA

Contacto e assinaturas directas ao “Jornal Folclore” (inclusive para às Comunidades Portuguesas) :
jornalfolclore@gmail.com
Rua Capelo Ivens N° 63 - Apartado 518
P-2000-223 SANTARÉM / Portugal
Telf: [+351] 243.599.429 / Fax: [+351] 243.509.464 / Celular: [+351] 919.126.732


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Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades (CJF-França)
41 boulevard Jean Jacques Rousseau - Appartement N° 2
F-92230 GENNEVILLIERS - França
Telf. : [+33] (0)8.70.44.73.30 - Fax : [+33] (0)1.47.94.19.08
E-mail : clube.jovens.folcloristas@gmail.com
Site : http://br.groups.yahoo.com/group/clubejovensfolcloristas
Orkut : http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=917522
SkyBlog : http://jovensfolclore.skyblog.com

Presidente do Clube CJF-França : Adé J. R. CALDEIRA
E-mail : clube.jovens.folcloristas@gmail.com
Messenger : adecaldeira@hotmail.com

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http://br.groups.yahoo.com/group/clubejovensfolcloristas

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#Posté le dimanche 18 décembre 2005 15:43

Modifié le mardi 26 juin 2007 11:53

Mensagem aos Jovens dos Grupos Folclóricos Portugueses

Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades
Mensagem a divulgar aos Jovens dos Grupos Folclóricos Portugueses
http://br.groups.yahoo.com/group/clubejovensfolcloristas


Um conselho a todos os jovens folcloristas no Mundo
Ir para à frente, sejam criticos positivos e negativos, participem em tudo em quanto houver sobre o folclore Português e unir-vos aos "Velhos do Restelo" que só eles é que podem partilhar a sabedoria que têm em matérias folcloristas e que bastantes vezes ... POUCO queirem partilhar !!


"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou" (Jorge Dias) [in Portal do Folclore]


Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades (CJF-França)

Programa :
• Criar elos de solidareadade entre os grupos folclóricos portugueses de França
• Refletir sobre a qualidade da representação do folclore em França
• Publicar boletim a caracter generalista sobre o folclore mas tambem ecos de folcloristas
• Apoiar, colaborar e divulgar o "Jornal Folclore" (jornalfolclore@gmail.com)
• Apoiar, colaborar e divulgar o "Portal do Folclore" http://www.folclore-online.com (folclore@folclore-online.com)
• Organizar conferências generalistas sobre o Folclore
• Organizar conferências regionais sobre o Folclore com folcloristas vindos de Portugal
• Contribuir a criação dum fundo documenta e audiovisual sobre o folclore regional de Portugal
• Facilitar a vinda de grupos folclóricos de Portugal e mobilizar os grupo folclóricos portugueses em França para "tournés" dos ditos grupos
• Acompanhar os grupo folclóricos em organização de Festivais Folclóricos dignos de qualidade e com respeito às regras da Federação do Folclore Português
• Incitivar uma verdadeira emissão radiofónica sobre o folclore num horário de melhor escuta (não como acontece numa estação de Paris, cujo emissão tem materia de boa qualidade e os seus animadores fieís conhecedores de questões sobre o folclore, que é difundida ao Domingo de manhã quando os jovens estam a dormir de descanço ou de actividades da nossa idade mas tambem quando participamos em activiades religiosas !!)
• Organizar jornadas tecnicas de etnofolclore com especialistas em materia folclorista
• Analisar todos os aspectos e dificuldades do folclore e dos jovens folcloristas em França

Regiões ou zonas folclóricas representadas no Clube de Jovens Folcloristas : Algarve, Nazaré, Trás os Montes, Ribatejo, Minho (Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca).

Estamos abertos a candidaturas de outros jovens folcloristas como nós na unica condição de ter realmente cargos de folcloristas no seio de seus grupo folclóricos e de serem ... jovens !

Este clube de jovens folcloristas não é uma dissidência nem uma contestação à Federação do Folclore Português e ao seu Conselho Tecnico Regional em França, mas verificamos que para os jovens folcloristas de França é dificil ter lugar e objectar no debate um conhecimento etnográfico e de folclorização que dispômos por muita força de vontade de nos documentar e mobilizar as nossas energias (e férias !!) nas pesquizas do trajamento e vida dos nossos antepassados que representamos nos nossos grupos folcloricos portugueses em França onde temos todos cargos de Dirigentes ou ensaiadores tecnicos.

Mas é verdade que verifica-se a ausência no espaço de apoio aos folcloristas por parte do Conselho Tecnico Regional em França cujo a sua actividade acaba por ser pouco visivel ou mesmo invisivel. Salientamos que um dos papeis fundamentais dum Conselho Tecnico Regional da FFP, seja ele onde estiver sedeado, é de apoiar o movimento folclorista onde lamentavelmente se verifica em desconhecer a real composição do Conselho Tecnico Regional de França, as suas actividades, os seus relatórios e as suas coordenadas !!

Por outro lado, e isso contestamos, o "label de federado" à vida (!!) porque verificamos que certos grupos jà federádos pouco respeitam a boa palavra do Dr Augusto dos Santos (ex-Presidente da FFP) ou de Pedro Homem de Melo (folclorista falecido nacionalmente conhecido) mais ainda menos as próprias regras da Federação do Folclore Português a quem são afiliados.

Como tambem contestamos a fedarização de grupo folclóricos portugueses em França directamente em Portugal por parte da FFP ou de membros da sua Direcção sem respeitarem a existencia e o parecer dum Conselho Tecnico Regional em França.

Os membros do Clube de Jovens Folcloristas reunem-se frequentemente para analisar e debater sobre a situação do folclore português em França. Num futuro próximo o relatório dos seus debates serão posto a público nos meios de comunicação social.

Um abraço folclórico e lusófono,


Paris - França, 01/01/2004


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Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades (CJF-França)
41 boulevard Jean Jacques Rousseau - Appartement N° 2
F-92230 GENNEVILLIERS - França
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E-mail : clube.jovens.folcloristas@gmail.com
Site : http://br.groups.yahoo.com/group/clubejovensfolcloristas
Orkut : http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=917522
SkyBlog : http://jovensfolclore.skyblog.com

Presidente do Clube CJF-França : Adé J. R. CALDEIRA
E-mail : clube.jovens.folcloristas@gmail.com
Messenger : adecaldeira@hotmail.com

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#Posté le lundi 30 janvier 2006 20:43

Modifié le mardi 26 juin 2007 14:54

O que é folclore ?

Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades


O que é folclore ?


por Maria de Lourdes Borges Ribeiro - Professora de Folclore da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena – São Paulo, Brasil


http://br.groups.yahoo.com/group/clubejovensfolcloristas


Quando e onde apareceu a palavra folclore ?

No dia 22 de agosto de 1846, em Londres, foi criada pelo arqueólogo inglês William John Thoms, que a propôs à revista The Atheneum, para designar os registros dos cantos, das narrativas, dos costumes e usos dos tempos antigos. Thoms escolheu duas velhas raízes saxônicas: Folk, que significa povo, e Lore, sabe, formando, assim, Folk-Lore, sabedoria do povo. Com o decorrer do tempo, as duas palavras foram grafadas sem o hífen, formando uma só: Folklore.


O que é povo ?

A palavra povo, que usamos a toda hora, precisa ser bem compreendida, pois tem diversos sentidos, de que salientaremos os principais. Povo é a gente que, embora, de várias raças, possui um modo de vida comum e habita um mesmo território. Confunde-se com a idéia de nação. Assim nós falamos do povo português, do povo brasileiro, do povo francês ou do povo alemão. Assim dizemos que os deputados são os representantes do povo. Povo pode ser também uma aglomeração de gente, quando se diz que havia muito povo numa festa ou numa manifestação. E, por fim, povo é gente que pertence às camadas menos favorecidas, econômica, social e culturalmente, da sociedade, por exemplo, quando se diz que o povo fala errado. Neste último sentido, é que entendemos povo (em inglês folk) na concepção do folclore, a sabedoria do povo. E a expressão se usa também para indicar os grupos em estado mais simples e natural, de vida rudimentar.


Qual é a sabedoria do povo ?

É tudo quanto o povo faz, pensa e sente. É a cultura do povo, cultura de folk, variável em suas manifestações conforme herança de conhecimentos transmitida pelas gerações anteriores. É o comportamento, a atitude do homem diante de um fato, de uma pessoa, de um animal. Esse comportamento resulta de um conjunto de crenças e práticas que se ligam às atividades, às técnicas, às normas sociais.


Qual é o conteúdo da sabedoria do povo ?

O Folclore, sendo a sabedoria do povo, a cultura do povo, abrange todos os campos da vida humana, incluindo seus mitos e lendas, sua história, parlendas, adivinhas e provérbios, seus contos e encantamentos, suas juras, pregões e xingamentos e gestos, e também suas danças, seus teatros, suas artes, seus instrumentos e cantigas, suas festas tradicionais, suas crenças e crendices, sua magia, seus tabus e superstições, sua medicina, seus rezadores e benzedores, suas trovas, desafios e romances, suas orações, seus brinquedos e seus jogos, suas técnicas populares, suas rendas, bordados, traçados e cestarias, e sua cozinha.


Onde está o folclore ?

Como fonte inspiradora, tem o Folclore vivificado obras literárias e artísticas. O movimento da revalorização da cultura popular teve início no começo do século passado, com o romantismo, e assim, velhos temas musicais, motivaram sinfonias e concertos, e as histórias, ou usos e costumes, incorporados a romances e ensaios. Além do emprego desses contos e melodias na literatura e na música, os estudiosos pesquisaram as suas raízes, os caminhos e meios de transmissão.

Também as artes plásticas, teatro e cinema se voltam para essa fonte de beleza inesgotável.


Como saber se um fato é folclórico ?

O fato folclórico tem uma série de características próprias.

a) a primeira é o anonimato, isto é, não tem um autor, foi feito por alguém, pela primeira vez, mas o nome desse alguém, desse autor, se perdeu através dos tempos, despersonalizando-se, assim a autoria. E quem inventou os brinquedos de roda com suas cantigas, as danças, as adivinha, as trovas, os ditados ? Quem disse, pela primeira vez quem quer vai, quem não quer manda ?

b) a segunda característica é a aceitação coletiva, é a aceitação do fato pelo povo e é essa aceitação que despersonaliza o autor. O povo, aceitando o fato, toma-o para si, considerando-o como seu, e o modifica e o transforma, dando origem a inúmeras variantes. Assim, esta estória é contada de várias maneiras, uma cantiga tem trechos diferentes na melodia, os acontecimentos são alterados e o próprio povo diz: “quem conta um conto acrescenta um ponto”. A mesma coisa acontece com as danças, mas suas danças não têm regulamento, não são codificadas, tanto pode o conjunto de dançadores dar 3 voltas completas, como apenas uma, a indumentária tanto pode ser rica e colorida como simples e ingênua. Há, contudo, uma certa estrutura que determina aquela indumentária, aquela cerâmica e as modificações não invalidam o modelo.

c) a terceira característica é a transmissão oral, isto é, a que se faz de boca em boca, pois os antigos não dispunham de outros meios de comunicação. Não havia imprensa, não havia, portanto, nem livros, nem jornais, todos os acontecimentos eram transmitidos oralmente. Na transmissão oral vive toda a história daquele grupo, daquele povo, e, em qualquer das modalidades particulares (lendas, contos com preceitos morais e normas de procedimento, narrativas imaginosas sobre a natureza e o sobrenatural, cantos, provérbios, parlendas, adivinhas, brinquedos, poesia, etc), em conexão com o objetivo, facilita a apreensão e a conservação. A aquisição de conhecimento dá a cada qual a possibilidade de difundi-lo, de propagá-lo, cabendo, evidentemente, aos bem dotados, a responsabilidade maior nas cantorias, nas danças e nas técnicas que se fixam pela prática frequente, comunicação do exemplo e imitação espontânea.

d) a quarta característica é a tradicionalidade, não no sentido de um tradicional acabado, perimido, coisa passada, sem vida, mas de uma força de coesão interna que define o modelo do conglomerado, da região, do povo, e lhe dá uma unidade. Sem se poderem valer de outros expedientes, como professores, escolas, imprensa, as pessoas do povo se valem da tradição, veiculada pela transmissão oral, a fim de resolver suas situações, buscando na lição vinda do passado o que precisam saber no presente, já que suas possibilidades as endereçam mais à sabedoria constituída que à inventiva. A tradição, que é o modo vivo e atual pelo qual se transmitem os conhecimentos, não ensinados na escola, rege todo o saber popular, seja o desenvolvimento de um jogo, de uma dança, de uma técnica, seja uma atitude ante qualquer agente que exija definição de comportamento.Essa força, que age no sentido de garantir a permanência dos valores de uma cultura, não segue seu destino nem cumpre sua missão sem lutas e empecilhos. Elementos de outras culturas a submetem a pressão, e isto provém de não ser absolutamente fechado o campo da cultura, antes é um campo aberto onde se agitam as influências do próprio meio e as externas. Somente a inércia poderia retardas essas modificações, mas a cultura é viva, é dinâmica, e sofre, evidentemente, impactos em todos os setores.

e) a quinta característica é a funcionalidade. Tudo quanto o povo faz tem uma razão, um destino, uma função. O povo nada realiza sem motivo, sem determinante estritamente ligada a um comportamento, a uma norma psico-religiosa-social, cujas origens talvez se perderam nos tempos. A dança, por exemplo, não é apenas uma repetição de gestos com feição harmoniosa. Inicialmente teria tido um destino, seja decorrente de rito religioso, seja de cerimônia do grupo, e, assim, deve ser vista como parte de um todo, da cultura do povo, e uma expressão a ser analisada como integrante de um contexto. Por que o povo canta ? Canta para rezar, canta para adormecer a criança, canta para trabalhar, canta para festejar as colheitas e os acontecimentos, canta para ajudar a morrer e para enterrar seus mortos. Mas, não dá concertos, recitais, audições com os eruditos; as suas festas têm épocas marcadas, com seus cantos e danças próprios.


Devemos estudar o folclore ?

Sim, o estudo do Folclore é o estudo da própria alma de um país, é o estudo do modo de ser da gente do povo, das suas maneiras de pensar, de agir e de sentir, é o estudo da feição nacional nas suas bases mais profundas e mais características. É a cultura de folk, é a mentalidade do povo, é a lição que nos vem transmitida através das gerações, como todo saber empírico das gentes humildes que lastreiam a formação da nacionalidade, cada um com seus usos, práticas e costumes.

Essa sabedoria não é uniforme, não é igual em todo o território, variando de um Estado para outro, pois sofre o impacto das heranças étnicas (às quais se juntam as contribuições de outras raças vindas com as correntes imigratórias) e das influências do meio, consideradas as exigências que as condições fisiográficas impõem ao homem, imprimindo normas e práticas indispensáveis à sua sobrevivência. Variam, assim, os modos de ser das gentes da beira-mar, do planalto, da montanha e do sertão, que nos tipos de moradia, de alimentação, de técnica, quer na feição espiritual. Não se viverá ao sul do País com o temor do boto, nem não centro sob o encanto da sereia. O lavrador se cercará de crendices e superstições para o bom êxito de suas lavouras, outras serão as do pescador, do boiadeiro, do tropeiro, do garimpeiro.

Se não conhecemos a mentalidade do povo, toda reforma ou regulamentação em qualquer sector da vida humana será vazia e sem possibilidade de êxito. No campo de medicina, da religião, da agricultura, da técnica, ou em qualquer outro, a sementeira germinará se anteriormente o terreno foi estudado, conhecido, preparado.


No que pode o folclore ser utilizado na escola ?

Muitas ciências, disciplinas e artes estão intensamente ligadas ao Folclore, e, assim, a escola primária dele pode e deve servir-se, como excelente maio de transmissão de conhecimentos, ao mesmo tempo que revelador da cultura do povo.

A sua maior aplicação será no setor de Linguagem oral e escrita, com a amplitude dos contos, nos objetivos éticos, morais e estéticos a serem por meio deles atingidos. A criança é conduzida a um mundo de fantasias, no qual o espírito repousa e se encanta. O conto é um veículo educativo, usado nas mais antigas civilizações e do mesmo modo entre os povos naturais, para realce dos feitos dos seus heróis e das virtudes de seus antepassados. Os provérbios, que representam uma condensação de sabedoria, as adivinhas, que são testes de conhecimentos, as parlendas, os jogos, os brinquedos, recreiam, estimulam as relações sociais e reafirmam a unidade grupal.

Em Matemática, inúmeras fórmulas e outras contribuições, em parlendas ou poesias e jogos; no Desenho, Trabalhos Manuais, Artes e Artesanatos, o uso do material loca, com revalorização de seus usos e seus motivos típicos ornamentais; Música, as nossas melodias, ritmos e instrumentos; ainda a dança e o teatro, com apresentações da beleza que possuímos nesses campos.

O aproveitamento do Folclore na escola primária é das mais válidas contribuições, pela intenção formativa e pelo caráter de nacionalidade que imprime.

No ensino médio e no secundário, passa o Folclore ao plano informativo, numa prospecção profunda da cultura, que levará à conclusão consciente de que “toda cultura tem uma dignidade e um valor que devem ser respeitados e protegidos; em sua fecunda variedade, em sua diversidade e pela influência recíproca que exercem umas sobre as outras, todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade”.

Na Universidade, o Folclore deve ser estudado como disciplina autônoma, através de suas implicações antropológicas, sociais, psicológicas e estéticas, para o conhecimento, em profundidade, da cultura popular.

A cultura do povo precisa ser estudada, porque é objetivo de todos os governos dar ao povo melhores condições de vida. Ao comentar a revolução dos nossos tempos, da qual um aspecto é “a luta pelo domínio, tanto quanto possível científico, do destino humano”, Gilberto Freyre considera esse domínio de modo algum absoluto, “pois deve conciliar-se com o daqueles valores de sempre, às vezes superiores à própria ciência e guardados pelos clássicos, pelas igrejas e pelo próprio folclore”.



Autora : Maria de Lourdes Borges Ribeiro
in Caderno de Folclore 1 – 3ª edição


Paris - França,
terça-feira, 31 de Janeiro de 2006


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Modifié le mardi 26 juin 2007 12:16

Breve descrição das danças tradicionais de Portugal e suas histórias

Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades
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BAILARICO
O bailarico é uma dança popular actual que se baila na região que vai do Alcoa ao Sado, isto é, em toda a região estremenha. Baila-se, sobretudo, nas regiões de Torres Vedras, Caldas da Rainha, Malveira, Sintra e Mafra, pelo que é conhecida pelo nome de «dança saloia». Porém, também no Alentejo, no Ribatejo e no Algarve o dançam. É o bailarico uma das mais típicas e características danças populares portuguesas. É também uma dança simples e ingénua, se bem que ritmada e muito movimentada. A sua simplicidade e o seu ritmo movimentado são bem característicos da sua pureza e genuinidade portuguesas. O bailarico é dançado com dois, quatro ou seis pares. No Ribatejo chamam-lhe bailharico.

CIRANDA
A ciranda é uma dança que se divulgou no século passado e vem inserta em vários cancioneiros. Não tem acompanhamento instrumental, pois baila-se apenas ao som de harmónio e com acompanhamento de canto. Não deve ser uma dança muito antiga entre nós porque o harmónio é um instrumento austríaco que só há um século começou a popularizar-se em Portugal. Trata-se de uma dança que se baila particularmente na Beira Litoral e na região do Norte da Estremadura.

CHULA
A chula ou xula, é uma dança popular portuguesa muito antiga. Gil Vicente refere-se a ela numa das suas peças ou autos teatrais. É uma dança que tem cantador ou cantadeira, ao desafio mas o seu estribilho, ou refrão, é só instrumental. Baila-se a chula - que é uma dança tipicamente nortenha - do Minho à Beira Alta setentrional. Porém, a chula do Alto Douro tem instrumentos especiais e especial maneira de se bailar. Tal como o malhão, a cana-verde e o vira, a chula pode acompanhar-se apenas pelo ritmar da viola ramaldeira e tal como aquelas, que são danças típicas do Minho e do Douro, pode ser acompanhada pela «ronda minhota» (espécie de pequena orquestra campesina composta de clarinete, rabeca, harmónica, cavaquinho, viola, violão, bombo e ferrinhos) ou pela «festada duriense» (que é constituída pelos mesmos instrumentos, menos o clarinete, que é substituído pelas canas).

CORRIDINHO
O corridinho, que também se baila em algumas terras do Ribatejo e do Alentejo, é sobretudo, uma dança algarvia: o Algarve é a sua verdadeira pátria. O corridinho é uma dança antiga, porém, não muito arcaica: reflecte aspectos de danças citadinas adaptadas pelo povo, pois que é no seu aspecto geral, uma dança que se baila ao ritmo da polca-galope. Ora, tanto a polca como o galope são danças estrangeiras citadinas do século passado. O corridinho é bailado ao som do fole ou flaita, isto é, da concertina e consta de duas partes: o «corrido» propriamente dito e o «rodado», que é orientado em sentido inverso ao do corrido. Quando porém, uma segunda parte da moda é mais mexida e o parceiro é de feição, abandonam-se os passos conhecidos e o par rodopia sempre no mesmo lugar, num passo especial a que se dá o nome de «escovinha».

FANDANGO
Do ponto de vista musical o fandango é semelhante ao vira, porém, baila-se de diferente maneira ; de resto, o actual vira é possivelmente o antigo fandango agora dançado em cruz. Dança que nos veio de Espanha, o fandango enraizou-se em Portugal, onde é bailado em quase todo o país desde há muito. O Prof. Armando Leça, que estudou com particular atenção as canções e as danças populares portuguesas, dá o fandango como dança que ainda hoje se baila no Douro Litoral, no Minho, em Trás-os-Montes (terras mirandesas), na Beira Litoral, na Beira Alta, na Beira Baixa, na Estremadura, no Alentejo e no Algarve. Contudo, as regiões onde o fandango é mais bailado e goza de maior preferência do povo são o Ribatejo, as raias minhota e da Beira Baixa (Castelo Rodrigo e Idanha-a-Nova) e as terras interiores de Beira Litoral (Pombal, Ansião, Figueiró dos Vinhos, etc.). Velha dança espanhola, o fandango é também uma dança portuguesa muito antiga. Bocage refere-se a ela e o escritor inglês Twiss, que visitou o nosso país em 1772, diz que viu «o fandango dançado em Portugal com grande galanteria e muita expressão». E Gil Vicente usa às vezes, o termo «esfandangado». No Ribatejo, na Beira Litoral e nas terras raianas do Minho e da Beira Baixa, bem como em algumas regiões do Alentejo e da fronteira algarvia, é onde melhor se baila o fandango. No Ribatejo bailam-no ao som de harmónica (gaita-de-beiços) ou harmónio (gaita-de-foles); já, contudo, em Ferreira do Zêzere, na serra de Tomar, em Mação e em Borba o bailam ao som de guitarra. Nas terras mirandesas (Trás-os-Montes) bailam-no em roda. Há uma dança que é uma miscelânea de vira e fandango: o vira afandangado. O verdadeiro vira afandangado parece ser o do Ribatejo onde muitas vezes, o bailam em cima de mesas. O vira afandangado do Minho vira galego é de feição vocal e baila-se aos pares, de roda. A voga do fandango entre os portugueses está de tal maneira arreigada no seu gosto que o levaram para o Brasil.
Nos estados do Nordeste brasileiro baila-se o fandango; porém, nessas regiões não lhe dão tal nome, mas sim outros nomes que bem denotam que foram os portugueses que para lá levaram essa dança: «bailado dos marujos», «dança dos marujos», «marujada», «chegança dos marujos» ou «barca». No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul (terras do Brasil), a palavra «fandango» quer dizer «festa», «baile» ou, simplesmente, «reunião onde se dança».

FARRAPEIRA
A farrapeira é uma das mais típicas e belas danças de Portugal. Não se sabe bem desde quando o povo a baila, mas parece ser uma dança bastante antiga, pois o seu aspecto musical aparenta-se com as mais antigas danças da nossa gente do povo. É a farrapeira uma dança do interior nortenho. Melodia que se assemelha à caninha-verde, exige ela um marcador espirituoso. Apesar de ser uma dança típica das Beiras, também no Ribatejo a bailam. Dança bem ritmada, é acompanhada à guitarra e, em algumas regiões, a pífaro e gaita-de-foles. Uma das características da farrapeira é o facto de ela ser uma das raras danças populares portuguesas cujo refrão ou estribilho é instrumental. Julga-se que a farrapeira deve ser uma dança burguesa, ou citadina, que o povo adaptou, pois o seu ritmo é o da polca e a sua marcação faz lembrar as quadrilhas, que, como se sabe, são danças de salão. Ao fim e ao cabo, a farrapeira, com o seu marcador, mais não é do que uma quadrilha campestre.

GOTA
A gota é uma dança popular portuguesa, bailada no Minho, que nada tem a ver com a «jota» espanhola (geralmente conhecida pelo nome de «jota aragonesa»). Há, contudo, íntimas relações entre a gota, o vira, o fandango e a jota espanhola; a gota é, porém, uma espécie de fandango. O fandango distingue-se da gota porque esta possui um carácter mais instrumental. O desenvolvimento melódico da gota aparenta-se com o da tirana, que é, também, uma dança popular portuguesa. A gota baila-se da mesma maneira que o fandango, apenas com um ritmo um pouco diferente.

MALHÃO
Ao malhão também lhe chamam «a moda das caminhas», «a rusga» ou «o Senhor da Pedra». Embora se baile também na Beira Alta, o malhão é uma dança tipicamente minhota, do Minho Litoral, muito semelhante à chula. Dança muito antiga, tem como a chula, acompanhamento de canto: o seu acompanhamento musical é de instrumento e cantador.

REGADINHO
O regadinho é uma dança popular que se vulgarizou no século passado e se baila em todo o Norte do País e também na Beira Litoral. É, por isso, uma dança híbrida, quer dizer: com algo de nortenho e algo de litoral. Dança bem ritmada, é, pouco mais ou menos, uma marcha; este seu aspecto leva-nos a crer que se trate de uma dança de salão ou burguesa, importada de Europa após as invasões francesas. No Norte bailam o regadinho sem acompanhamento instrumental, apenas acompanhado à viola, ao passo que na Beira Litoral o bailam ao som da guitarra.

SAIAS
A moda das saias é uma dança popular bailada principalmente pela gente do Alto Alentejo mas também bailada em algumas regiões do Ribatejo, da Beira Baixa, da Beira Litoral, da Estremadura, da Beira Alta e do Douro Litoral. Contudo, repetimos, é mais característica do Alto Alentejo e das terras interiores da Beira Litoral e do Ribatejo - precisamente daquela região que outrora pertenceu à Estremadura (Tomar, Pombal, Ansião, Figueiró dos Vinhos, Chão de Couce, Avelar, etc.). É uma dança sincopada e, às vezes, com marcador. O ritmo típico das saias é o binário; no Alto Alentejo o binário composto (6/8); no Douro Litoral, as saias têm um ritmo nortenho - binário simples (2/4). Há quem pretenda aparentar as saias com a dança espanhola da Andaluzia conhecida pelo nome de «saeta», porém nada de comum parecem ter, pois as saias são uma dança profana, de divertimento, ao passo que a «saeta» é uma dança acompanhada de canto litúrgico e só bailada como ritual das procissões. A moda das saias tem vários aspectos, por isso há várias modalidades de saias:
a) Velhas - As antigas, em forma de valsa-mazurca;
b) Novas - As actuais, em forma de valsa campestre;
c) Aiadas - Aquelas em que o marcador grita um «ai» no estribilho, a indicar a volta;
d) Puladinhas (ou Pulado);
e) Com estribilho.
As saias são modas acompanhadas de canto. Por isso, as saias são só para cantar ou para cantar e bailar. Quando cantadas, possuem uma letra sem requebro. Quando só cantadas, durante o trabalho, as saias estão para a gente do Alto Alentejo como o tope está para as gentes do Baixo Alentejo.Nas saias, os estilos e modas (a música) bem como os pontos (a letra) são volantes e os seus ritmos, às vezes, variam, chegando a haver, na mesma região, várias saias de estilo e moda diferentes; algumas vezes, o mesmo ponto serve vários estilos, mas o mais vulgar é o mesmo estilo ser cantado com vários pontos. Já no século XVII se dançavam as saias e parece que, então, elas se bailavam um pouco à maneira andaluza; tal modalidade arcaica ainda hoje se encontra em Escalos-de-Baixo. É no Alto Alentejo, bailadas ao som de pandeiro e, às vezes, de pandeiro e adufe, que as saias são mais castiças.

TIRANA
Apesar de melodicamente a tirana ser uma dança meridional, isto é, do Sul, a verdade é que ela se baila exclusivamente do Minho à Beira Litoral, particularmente na região de Coimbra - pois «tiranas» se chama às tricanas de Coimbra. O ritmo da tirana é um ritmo valseado. No nosso teatro ligeiro musicado, bem como nos ranchos folclóricos, dança-se frequentemente a tirana, mas, erradamente, chamam-lhe, a maior parte das vezes, vira. Com a moda das saias, a tirana tanto pode ser só cantada como cantada e bailada como, ainda, bailada com acompanhamento instrumental.

VERDE-GAIO
Embora seja uma dança tipicamente nortenha, o verde-gaio dança-se em quase todas as regiões do País ao norte do Tejo e particularmente no Ribatejo e Estremadura, entre o Lis e o Sado. É uma moda de cadeia com acompanhamento de auto: quadras fixas e várias. Sendo o verde-gaio mais popular no Norte do que no Sul, é curioso notar que é na região entre o Lis e o Sado que o bailam melhor e mais a primor. Em geral o verde-gaio é acompanhado com harmónica ou realejo.

VIRA
O vira é uma das mais antigas danças populares portuguesas; dele já Gil Vicente nos fala na sua peça Nau d'Amores dando-o como uma dança do Minho. Com efeito, o vira é uma dança de tradição minhota, embora se baile, de maneira diferente, também na Nazaré e no Ribatejo, e hoje, se baile à maneira minhota em quase todo o País. O vira é, de uma maneira geral, a dança popular portuguesa mais característica e popularizada. Há inúmeras variantes tanto musicais como na maneira de o bailar: vira de roda, vira estrepassado, vira afandangado, vira valseado, vira-flor, vira de trempe, vira galego, vira ao desafio, vira poveiro (da Póvoa de Varzim), etc. Do ponto de vista musical, o vira pode ser menor ou maior e é muito semelhante ao fandango; porém, o fandango dança-se de diferente maneira. O vira minhoto, isto é, o vira em maior, é semelhante ao malhão e à chula. O vira em menor não é minhoto.O vira não tem estribilho: a quadra da cantadeira repete-a o coro dobrada em terceiras ou somente dois versos e um larai como estribilho; quer dizer: como o vira não tem estribilho, o coro repete os versos dos cantadores. É da praxe minhota começar a cantiga no segundo verso. O vira distingue-se do fandango pelo verso da canção, mais longo no fandango.O vira da Régua é a chula.

BEIRA LITORAL
Pela sua extensão e diversidade de modos de vida das suas populações (as quais apresentam várias mas diferentes características: serranas, piscatórias, influência burguesa de Coimbra, pastoris, simultaneamente rurais e marítimas) a Beira Litoral é, do ponto de vista coreográfico, uma província muito complexa e variada recebendo as suas danças influências de áreas e regiões etnográficas das províncias e concelhos limítrofes. Principais danças: a Farrapeirinha, a Farrapeira, o Regadinho, a Ramaldeira, a Ribaldeira, a Tirana, o Estalado, o Lambão, o Real das Canas, o Vira Valseado (Moldes, Arouca), o Vira de Cruz (Moldes-Arouca), a Cana Verde de Oito (Moldes-Arouca), o Malhão, a Tirana, a Ciranda, a Carrasquinha, a Cana Verde, a Moda Nova, o Senhor de Pedra, o Verde-Gaio, o Vira (em várias modalidades: Vira Flor, Vira Travado, Vira de Treme, Vira Roubado, Vira de Roda, Vira Pulado, Vira Serrado, Vira Valseado, Vira Vareiro (com «marcador»).


Onde se dança o quê ?

ANEXO I

DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DAS DANÇAS POPULARES PORTUGUESAS AINDA EM USO
BAILARICO Estremadura (Região Saloia). Também do Alcoa ao Sado, no Alentejo, no Ribatejo e no Algarve. No Ribatejo também é conhecido por «bailharico».
BAILHOS CAMPANIÇOS Alto Alentejo (Évora).
BALHOS DE CADEIA Baixo Alentejo (embora haja «danças de cadeia» em todo o país).
BALHOS DE RODA Baixo Alentejo.
BALSO MARCADO OU BALSO RASTEIRO Algarve.
BALSO PULADO Algarve.
CANA VERDE Minho (Guimarães) e Entre-Douro-e-Minho (Santo Tirso, Arouca). Variantes : «Cana Verde Ricoqueira», (S. Martinho do Campo, Santo Tirso, Guimarães), «Cana Verde Picada» (idem), «Cana Verde de Oito» (idem).
CARREIRINHA Estremadura.
CHEGADINHO Baixo Alentejo.
CHICOTE Estremadura.
CHOTIÇA Algarve. Ver: «xotiça».
CHOTIÇA COM MARCADOR Ribatejo.
CHULA Douro e Alto Douro. Também do Minho à Beira Alta. Variantes: «Chula Vareira» (Douro), «Chula de S. Martinho da Gandra» (Ponte de Lima), «Vareira Chula» (Paredes), «Chula Virada» (Cinfães), «Chula de Pias» (Cinfães), «Chula de Ramalde».
CIRANDA Beira Litoral. Também na região norte da Estremadura.
CORRIDINHO Algarve. Também no Ribatejo e Alentejo.
ENLEIO Estremadura.
ESTALADO Beira Litoral.
FANDANGO Ribatejo. Também no Minho, Trás-os-Montes (Terras de Miranda), Douro Litoral, Beira Alta (Castelo Rodrigo), Beira Baixa (Silvares, Idanha-a-Nova), Estremadura (Pombal, Ansião, Figueiró dos Vinhos), Ribatejo (Ferreira do Zêzere, Serra de Tomar, Mação), Alentejo e Algarve.
FARRAPEIRA Beira Alta, Beira Litoral e Ribatejo.
FARRAPEIRINHA Beira Litoral (Ourém e Caixarias onde é dançada com pífaros.
GOTA Alto Minho (Penso, Serra de Arga, Covas). Também em Trás-os-Montes (Terras de Miranda) e Beira Baixa (Escalhão).
LAMBÃO Beira Litoral.
MALHÃO Minho. Também no Minho Litoral (Santo Tirso), Baixo Minho (Vila Verde, Barcelos e Terras da Feira). Variantes: «Malhão de Roubar» (Vila Verde), «Malhão Traçado» (S. Maninho do Campo, Santo Tirso) «Vareira de Barcelos», «Malhão de S. Pedro de Nabais» (Escariz, Arouca, Terras da Feira) e «Piruló» (S. Martinho do Campo, Santo Tirso).
MARCADINHO Baixo Alentejo.
MODA DO INDO EU Beira Alta. Também noutras localidades do país.
PULADINHO Alentejo.
RAMALDEIRA Beira litoral e Estremadura.
REAL DAS CANAS Beira Litoral.
REDONDINHA Baixo Alentejo.
REGADINHO Beira Litoral.
REINADIOS Estremadura.
RIBALDEIRA Beira Litoral e Estremadura.
SAIAS Alto Alentejo (Portalegre). Também na Estremadura (Pombal, Ansião, Figueiró dos Vinh101 Avelar), Ribatejo (Tomar), Beira Baixa (Escalos de Baixo), Beira Litoral e Douro Litoral.
SALTO EM BICO Alto Alentejo.
SEGUIDILHAS Algarve (Vila Real de Santo António) e Alentejo (Barrancos).
TAREIO Beira Alta.
TIRANA Minho (Carreço) e Beira Litoral (Coimbra). Também Douro Litoral (Terras da Feira, onde é um vira).
TOPE Baixo Alentejo.
VAREIRA Minho.
VERDE GAIO Estremadura. Também algumas localidade nortenhas e Ribatejo, região de entre o Lis e o Sado.
VIRA Minho (Entre o Douro e Minho, Alto Minho e Baixo Minho). De certo modo baila-se em todo o país. Variantes: «Vira de Santa Marta de Portuzelo», «Gota de Carreço», «Rosinha de Afife», «Rosinha de Serra de Arga», «Serrinha ou Espanhol» (Arcos de Valdevez), «Salto do Soajo» (Alto Minho), «Vira Velho de Vila Verde» (Baixo Minho), «Mugiga de Santa Maria da Reguenga (sul do concelho de Santo Tirso, Terras da Maia), «Vira de Cruz» (Arouca, Terras da Feira e Moldes), «Vira Valseado» (Moldes, Arouca e Terras da Maia), «Tirana» (Lugar do Corvo, Arcozelo-Vila Nova de Gaia, Terras da Feira), «Tirana de Cidacos» (Oliveira de Azeméis, Terras da Feira), «Vira da Areia» (Nazaré), «Vira Poveiro» (Póvoa de Varzim). Outros : «Vira Galego», «Vira ao Desafio», «Vira Roubado», «Vira Flor», «Vira de Roda», «Vira Estrepassado», etc.os, Chão de Couce,


ANEXO II
BRINCADEIRAS E JOGOS BAILADOS
«GIRÓ-FLÉ-FLÉ-FLÁ»
«QUEM ANDA NO MEIO»
«ROSA BRANCA AO PEITO»
«A MODA DO INDO EU»
«AS POMBINHAS DA CATRINA»
Também, de certo modo e por determinados aspectos da sua coreografia, a «Carreirinha», a «Farrapeirinha», o «Regadinho», os «Reinadios» e a «Tia Anica de Loulé», são brincadeiras ou jogos bailados.



Referências autorais

TOMAZ RIBAS
Biblioteca breve
Serie artes visuais
Danças
Populares Portuguesas
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Título
Danças Populares Portuguesas

Biblioteca Breve / Volume 69

1.ª edição – 1982

Instituto de Cultura e Língua Portuguesa
Ministério da Educação e das Universidades

© Instituto de Cultura e Língua Portuguesa
Divisão de Publicações
Praça do Príncipe Real, 14-1.º, 1200 Lisboa
Direitos de tradução, reprodução e adaptação,
reservados para todos os países

Tiragem : 5000 exemplares
Coordenação Geral : Beja Madeira
Orientação Gráfica : Luís Correia
Distribuição Comercial : Livraria Bertrand, SARL Apartado 37, Amadora – Portugal

Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Livraria Bertrand
Venda Nova - Amadora - Portugal
Fevereiro 1983


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